Aikido - Aspectos Gerais

O Aikido é uma arte marcial japonesa tradicional.

É uma luta de estilo gracioso, cuja finalidade é a harmonia entre os seres humanos.

Foi criada pelo grande mestre Morihei Ueshiba, perito em jiu-jitsu e esgrima japonesa, e que alcançou o mais alto nível de maestria nas artes marciais clássicas.

Embora o Aikido seja uma inovação relativamente recente no mundo das artes marciais, ele é herdeiro de uma rica tradição cultural e filosófica.

Antes de criar o Aikido, Ueshiba adquiriu proficiência em várias modalidades de jiu-jitsu, lutas de espada e de lança. Dedicou-se também ao estudo religioso e desenvolveu uma ideologia devotada à harmonia sociopolítica universal.

Incorporando esses princípios em sua arte marcial, Ueshiba desenvolveu muitos aspectos do Aikido sob a inspiração de sua orientação filosófica e religiosa.

Quando da transformação do que originalmente denominava-se Aikijitsu para o que modernamente é chamado de Aikido, houve a mudança de uma prática encerrada em si mesma para uma prática com uma direção clara e universal, que cada um nela poderia se engajar.

Segundo o Fundador, a meta do Aikido não é a derrota dos outros, e sim a derrota das características negativas que habitam as mentes das pessoas, inibindo sua plenitude. Devido a esse aspecto, não há no Aikido torneios, competições, provas ou "sparring". Ao contrário, todas as suas técnicas são aprendidas cooperativamente, em ritmo adequado às habilidades de cada um.

Ao mesmo tempo, seu potencial para a autodefesa não pode ser ignorado. Uma das razões para a proibição de competições no Aikido é que muitas de suas técnicas teriam que ser excluídas, dado o elevado risco de causarem ferimentos graves.

No treino cooperativo, até técnicas potencialmente letais podem ser praticadas sem riscos substanciais.

É importante enfatizar que no Aikido não há atalhos para a proficiência. Consequentemente, não há outro caminho senão o treinamento dedicado e persistente. Ninguém se torna perito em poucos meses.

Objetivo da Prática

O objetivo da prática constante não é a perfeição de um estágio ou habilidade, mas tornar o adepto uno com a natureza intra e extra-pessoal. É esse aspecto que atrai os ocidentais, especialmente aqueles com interesse em artes marciais não-desportivas.

O Aikido, muitas vezes chamado “A Arte da Harmonia”, fornece ensinamentos para melhorar o espírito humano, para a formação do caráter e convivência pacífica, de modo que o adepto possa tornar-se senhor de seus atos respeitando a integridade de outrem.

Sua difusão pelo mundo deve-se, em grande medida, ao fato das pessoas estarem a procurar, através das artes marciais, não a força física, mas sobretudo a firmeza de caráter e a harmonia entre o seu espírito e a humanidade.

¹Não confundir com convivência passiva, onde predomina a apatia comportamental à mercê das contingências. A convivência pacífica caracteriza-se por inter-relações concretas que determinam as ocorrências, suas consequências e responsabilidades dos agentes atuantes.

Como são as técnicas

Longe de ser brutal, o Aikido, enquanto técnica, se expressa em movimentos suavizantes, quase sempre executados de forma circular. Dessa forma, possibilita ao praticante o aumento de seu potencial quanto à expressividade do movimento corporal.

Em termos gerais, a grande diferença, em relação as outras artes marciais, reside num ponto: enquanto a maioria das lutas utiliza golpes traumáticos e de grande tensão muscular, o Aikido usa o KI (a energia fundamental).

Em vez de grande desgaste físico e muscular, o Aikido emprega muita concentração e agilidade. A característica principal consiste em desequilibrar o adversário e jogá-lo ao solo, através de sutis mas eficientes golpes.

As técnicas se baseiam, principalmente, em esquivas, amortecimentos de ataques, projeções, condução do oponente, torções e chaves. Os princípios de rotação espiral e esférica tornam possível ao praticante experiente defender-se de um ou mais oponentes de tamanho e força superiores.

Benefícios

Além do evidente poder defensivo que o Aikido possui, as características de suas técnicas o tornam atrativo para as pessoas de todas as idades.

De fato, o Aikido pode ser praticado por qualquer um – crianças, homens e mulheres. Ele não só oferece desenvolvimento espiritual, como também exercício, etiqueta e atitude correta.

Face ao seu espírito não violento, o Aikido possibilita que o aluno o pratique de acordo com a sua capacidade, buscando SAÚDE, DEFESA PESSOAL ou TERAPIA.

Princípios Gerais

Os princípios, abaixo, foram retirados dos ensinamentos do Fundador e adaptados à nossa realidade. Devem ser entendidos como o modo de ser de cada um de nós, praticantes de AIKIDO.

  1. O AIKIDO deve ser ensinado somente às pessoas que sigam estritamente o ensinamento do instrutor;
  2. No AIKIDO, como caminho marcial, a pessoa deve permanecer alerta a tudo o que se passa ao seu redor, não deixando nenhuma abertura vulnerável (tsuki);
  3. A prática torna-se alegre e agradável uma vez que se tenha feito aquecimento e treino o suficiente para não se incomodar com a dor;
  4. A pessoa deve, constantemente, refletir a respeito do aprendizado do AIKIDO nas várias dimensões da vida, não apenas no dojo;
  5. A pessoa não deve nunca forçar as coisas de modo antinatural ou não razoável. Ela deve praticar de modo ajustado ao seu corpo, sua condição física e idade;
  6. O objetivo do AIKIDO é o que há de nobre na verdadeira natureza humana. Ele não deve ser usado para exibições do ego. Não exiba ou demonstre, sem necessidade, as técnicas aprendidas;
  7. Respeite e ajude a família dos membros do grupo de AIKIDO;
  8. Procure estar em dia com as contribuições ao grupo de AIKIDO; e
  9. Acima de tudo, lealdade ao seu grupo.

Aikido em três lições fáceis

1 – Sinta aonde você está

Aikido e o caminho da harmonia entre o espírito e a energia do Universo. Você tem que sentir você e o colega, isto leva ao primeiro princípio. O primeiro básico e o estado de presença. E capacidade de sentir. E sentir aonde você está. E a capacidade de focalizar, a sensibilidade em atenção. Inicialmente, traga esta atenção para o corpo e depois expanda esta atenção para toda a sua vida. Sentir onde você está significa se localizar dentro do seu próprio corpo. Descobrindo aonde você está tenso ou desconfortável. Também significa descobrir onde você está relaxado ou aonde sua energia trabalha mais livremente. Use o seu corpo como um instrumento deste princípio. Esse princípio abrange sentir aonde você está mental e emocionalmente. Comece percebendo a sua atitude pessoal e prossiga verificando suas relações com o mundo. Sinta aonde você está no espaço, sinta aonde você está em relação a outra pessoa. Verifique como você está em relação as atitudes e emoções das outras pessoas. Prestando atenção aonde você está faz com que você verifique aonde e necessário chegar, como descobrir aquilo que precisa ser feito para chegar ate lá. Não e possível chegar a nenhum lugar se não soubermos aonde estamos agora.

2 – Estabeleça uma abordagem sem choque: Harmonia

O segundo princípio e criar uma relação sem resistência, sem choque. Uma abordagem, uma aproximação sem resistência e não se chocar de frente com uma situação que já exista – conflitos, mudanças, sentimentos próprios, sentimentos dos outros – simplesmente aceite a situação como ela e prossiga no seu caminho. No Aikido, quando alguém vem nos atacar (mudança) nos não confrontamos esta forca. Em vez de ficar na linha de ataque, sendo agredido ou agredindo alguém, vamos nos colocar lateralmente a ele, viramos para aonde este alguém está indo e tentamos entender o ponto de vista desta pessoa. Esse ato, consequentemente, abrira a porta para o terceiro princípio, partilhe quem você e. E difícil partilhar quem você e quando você está em conflito ao que está ocorrendo. E difícil ser escutado por alguém que está falando. Qualquer que seja a emoção – fúria, frustração, entusiasmo, tristeza ou prazer – não se oponha estes sentimentos. Sejam eles seus ou de outra pessoa. Partilhe mais profundamente e sinta estes sentimentos totalmente. Se alguém reagir negativamente a uma sugestão, em vez de reagir contra ou tentar convencer a outra pessoa, entre em uma abordagem sem choque, de questionamento positivo. Pergunte por que a pessoa vê esta situação desta maneira. O que esta pessoa pensa ou sente pode ser uma solução melhor ou pode modificar sua sugestão para uma forma mais gratificante. Criar, estabelecer, praticar a abordagem ou relação sem resistência lhe colocara numa posição que possibilitara um trabalho conjunto mais criativo, sem desperdício de energia e harmonioso. Consequentemente, o ambiente estará propício a soluções positivas e criativas.

3 – Partilhe quem você é

O terceiro princípio e: partilhe quem você e. Faca sua contribuição. Cada um de nos tem uma grande e única visão do mundo. Cada um de nos traz algo especial para ser compartilhado. Todos nos valorizamos quando podemos fazer uma contribuição. e sendo nossa contribuição. valorizada pelos outros. Os dois primeiros princípios são pré-requisitos para o terceiro. Você precisa saber aonde esta significa que você está presente em seu estado de espírito e tudo que está em volta de você. Crie relações sem resistência – e o estado pessoal que lhe permite sair de estado ou ambiente de conflito, sem choque e entrar em uma área de união ou neutra. Sem choques ou resistência e consciente de si, toda sua energia poderá ser focalizada em criar mudanças positivas. O problema, normalmente, e que a maioria das pessoas vai direto para o terceiro princípio sem totalmente praticar os dois princípios iniciais. Qualquer resistência ao entrar em uma situação ira criar outras resistências adicionais a toda situação. Coloque-se em estado de consciência e sem resistência, sem bloqueios – atitude progressiva. A partir deste ponto você poderá fazer contribuições de valor para questão, problema ou situação. Finalmente, sinta aonde você está, crie relações sem conflitos e partilhe quem você é.

Uma nota sobre o Ki

Os princípios, abaixo, foram retirados dos ensinamentos do Fundador e adaptados à nossa realidade. Devem ser entendidos como o modo de ser de cada um de nós, praticantes de AIKIDO.

Uma vez que a palavra “AIKIDO” quer dizer algo como “o caminho da harmonia com o KI”, é natural que muitos aikidoístas interessem-se pelo seu significado.

O conceito de KI é um dos conceitos mais difíceis da filosofia e prática do AIKIDO.

Etimologicamente, o ideograma KI deriva do ideograma chinês CHI. Na filosofia chinesa, originalmente, CHI era aquilo que diferenciava as coisas com vida das coisas sem vida. Com o desenvolvimento dessa filosofia, o conceito de CHI foi ampliando, cada vez mais, sua gama de significados e aplicações.

Um dos conceitos era de que o CHI seria o “material” básico do qual todas as coisas são feitas. As diferenças não seriam que algumas coisas tinham CHI e outras não, mas um princípio (LI, em japonês, RI) que determinava como o CHI estava organizado e funcionava (similar à metafísica grega de forma-matéria).

Os aikidoístas modernos importam-se mais com a questão de o KI denotar algo real e o que ele denota exatamente. Muitas foram as tentativas de demonstrar a existência objetiva do KI como um tipo de “energia” que flui dentro do corpo (especialmente ao longo de certos canais chamados “meridianos”). Até o momento, no entanto, não há registro de publicações científicas dando evidência a essas afirmações.

Isso, naturalmente, não coloca um ponto final contra a existência do KI.

Alguns aikidoístas declaram ser capazes de demonstrar a existência (objetiva) do KI através da realização de vários tipos de façanhas. Uma delas, muito popular, é o chamado “braço indobrável”.

Uma pessoa, X, estende o braço e outra, Y, tenta dobrá-lo. Primeiro X fecha a mão e contrai os músculos do braço. Geralmente, Y consegue dobrar o braço. A seguir, X relaxa o braço (que continua estendido) e “projeta o KI” (como a maioria dos principiantes não sabe exatamente a maneira de fazê-lo, aconselha-se a pensar no braço como uma mangueira de incêndio jorrando água ou numa metáfora similar). Desta feita, Y encontra muito mais dificuldade para dobrar o braço de X, se não o conseguir, a conclusão é que isso é a atuação do KI.

Existem, no entanto, explicações alternativas no escopo da Física ou da Psicologia. Nem todos os aikidoístas creem que o KI é uma espécie de “matéria” ou “energia”. Para alguns, KI é um expediente conceitual, que cobre intenções, momento, desejo e atenção.

Estender o KI é adotar uma postura positiva física e psicológica. Isto maximiza a eficiência e adaptabilidade dos movimentos, resultando em uma técnica mais potente e um sentimento de afirmação em relação a si mesmo e ao parceiro.

Independente da escolha de considerar a existência objetiva do KI como algo real ou irreal, não há dúvida que existe no AIKIDO algo mais que a mera manipulação do corpo de um parceiro. O AIKIDO requer sensibilidade a variáveis diversas como noção de tempo, momento, equilíbrio, velocidade e força de ataque e, especialmente, o estado psicológico do parceiro (ou de um atacante).

Na medida em que o AIKIDO não é um sistema para ganhar controle físico sobre os outros, mas um veículo para a auto-melhoria, ou mesmo para a iluminação (Satori), não há dúvida que o cultivo de uma postura positiva física e psicológica é um ponto importante do AIKIDO. Novamente, pode-se, ou não, descrever o cultivo desta postura positiva em termos de KI.