Como tudo começou

Teruo Nakatani

Em Dezembro de 1963, chega ao Rio, ao final de uma viagem de cargueiro de 90 dias, o emigrante japonês Teruo Nakatani, marcando o inicio do Aikido em terras cariocas, sem qualquer vínculo com o Aikido praticado em São Paulo.

Nakatani, formado pela Universidade Meiji, em Administração, praticava na Hombu dojo e já chegou aqui faixa preta 1o. Dan de Aikido, além de 1o. Dan em Karate, foi aluno de O-Sensei e companheiro de Yamada Sensei e Tamura Sensei na Academia Central em Tóquio.

Após uma passagem efêmera em um pequeno dojo na área portuária, começa, realmente, no Dojo de Judô do prof. George Mehdi, instalado em Ipanema.

J.R.Martins

Entre os judocas que lá praticavam estava J.R.Martins – que viria a ser o introdutor do Aikido em Brasília.

Martins e o secretário da Associação de Faixas Pretas do Rio, sr. Almeida, conseguem espaço e horários na Academia do Mestre Nagashima (na Praça da Bandeira) para o prof. Nakatani ensinar Aikido, nas Seg., Qua. e Sex. das 21:00 as 22:00. Este local é o primeiro local da pratica do Aikido no Rio de forma regular. Os primeiros faixas pretas de Aikido no Rio de Janeiro, foram J.M. Ribamar Martins, Mark Berler, Eduardo Adler, Carlos Infante, Oswaldo Simon (O Guru), Otavio Oliveira, Luis Augusto Paraguassu, Pedro Gavião, Sinati, Getulio, Waldemar e depois George Prettyman são dessa época dourada.

O crescimento do número de alunos faz com que Nakatani, em 1969, mude para Rua Barata Ribeiro no. 810, sobreloja e depois 2o. andar – Copacabana que acabou se transformando na Associação Carioca de Aikido. Havia um Segundo local de prática de Aikido, no Rio, no clube Caiçara (Lagoa) onde as aulas eram dadas pelo Guru, primeiro faixa preta de Nakatani.

Em 15 de julho de 1971, ingressa no dojo de Copacabana, um praticante que terá importante influência na continuidade do Aikido Carioca, é o empresário Adélio Andrade, português de Douro Litoral, na época com 28 anos, trabalhador, inteligente, hábil administrador, que suprirá a lacuna da ausência de Nakatani gerada por suas atividades empresariais e tornando-se um expoente no Aikido do Rio de Janeiro.

Nakatani, de 1963 até 1973 torna-se figura lendária, é figura de manchete em jornal ao prender assaltantes Ladeira Saint Roman, aparece em documentários, notícias da semana sobre esportes, aparece como coadjuvante em filmes nacionais da época, como o Diamante Cor-de-Rosa de Roberto Carlos.

Em 1972, prof. J.R.Martins é removido pelo Banco do Brasil para Brasília e deixa o dojo da Barata Ribeiro, vai ser o introdutor do Aikido no Planalto Central. Nakatani se incumbe de, semestralmente, efetuar seminários e a avaliação dos seus alunos brasilienses.

É bom registrar que o prof. Nakatani busca sua realização na sua área de formação o que acarreta constantes viagens e ausências do dojo de Copacabana. Uma contusão no joelho faz com que Nakatani comece pensar a deixar a prática do Aikido.

Ichitami Shikanai

Assim, Nakatani procura, no Japão, primeiro na Academia Central, depois o mestre Yasuo Kobayashi, seu colega de faculdade, para que indicassem uma pessoa para ocupar o seu lugar no dojo do Rio.

Entre os dois principais alunos de Kobayashi, estavam Igarashi e Shikanai, como Igarashi estava noivo, Shikanai se apresentou para vir para o Brasil. Então, em Junho de 1975, chega ao Rio, acompanhado por Yasuo Kobayashi, o prof. Ichitami Shikanai, deixando, incompleto, o curso de Economia, da Universidade Meiji, sem nenhum conhecimento de língua portuguesa, solteiro, com 28 anos, 3o. Dan de Aikido, 2o. Dan de Jodo e de Iaido.

Shikanai assume o ensino do Aikido no dojo de Copacabana, porém, ocorre o choque cultural e a reação a mudança face ao Aikido praticado pelo novo instrutor. Os alunos acostumados ao Aikido marcial, viril, do prof. Nakatani questionam a maneira apresentada e o temperamento do novo instrutor o que vem a se refletir na administração financeira da academia (fuga de alunos). O prof. Adélio percebe os problemas e monta um dojo em Niterói a ser dirigido diretamente por Shikanai, ficando a academia da Barata Ribeiro sob a direção de Adélio. E o prof. Shikanai ministrando aulas nas Seg., Qua. e Sex. pela manhã e a noite, somente.

Na ida para Niterói, acompanham dois faixas pretas que são importantes no Aikido do Rio de Janeiro, Pedro Paulo Coelho e Bento Guimarães.

Crise econômica, inflação desenfreada, reajustes de alugueis abusivos fazem com que a Associação Carioca de Aikido passe por sérios problemas, perdendo muitos alunos, o que culminou em seu fechamento, passando o prof. Adélio a lecionar as Ter. e Qui. na AABB da Lagoa.

Sob a égide do prof. Adélio, no dojo da AABB da Lagoa, uma outra nova fase carioca se inicia, onde se formam faixas pretas, Jose Carlos, Renato Morrison, Valerio Exposito e Marco Antonio Barcelos.

No dojo de Niterói, onde Shikanai torna morada, escritório e academia, administrado somente por ele, ingressam Antonio Augusto, Alberto Ferreira e Carlos Nogueira. Este último, mais tarde, emigra para Los Angeles, onde ingressa no Iwama-ryu e hoje – tendo retornado – representa no Brasil a linha do Saito Sensei.

Face a distância e por determinação do Prof. Shikanai, Pedro Paulo e Bento Guimarães, iniciam turmas de Aikido em Laranjeiras na Academia Nissei, onde Shikanai comparece uma vez por mês para treino mensal. Neste ciclo, formam-se, Nelson Lisboa, Marcelo Guelman, César Silveira, Teresa Silveira, Antonio Peniche (Toko) e outros.

Em 1981, nasce, em Niterói, da união do prof. Shikanai com Mayumi Shimizu, a filha Lídya Minori Shikanai. com problemas locomotores decorrentes de erro médico no hospital público onde ocorreu o parto.

As dificuldades de realizar tratamento médico na filha, deficiente física, no próprio dojo de Niterói, induzem Shikanai a aceitar sugestão de Sacai – renomado terapeuta japonês na Zona Sul do Rio – de mudar para uma casa em Belo Horizonte onde melhor poderia aplicar os exercícios na filha.

Então, em 1985, Shikanai muda com a família para Belo Horizonte para uma casa térrea no bairro de Carlos Prates. O primeiro local de prática foi em casa, depois na Praça Raul Soares, em um dojo de Judô em cima do posto de gasolina e finalmente na Savassi, onde se encontra até hoje.

No solo mineiro, surgem novos faixas pretas, como Jose Martins, Jose Almir, Daniel Spach, Vanessa, Paulo Pinheiro, Marcio, Marcelo, Dora, Kátia e outros. Em 2000, Vanessa – faixa preta 3o. Dan – inaugura um dojo campestre, na serra dos Jambeiros, local dos gashukus mineiros.

Cumpre destacar que no Rio, dois antigos alunos do dojo da Barata Ribeiro, Laurentino Duó (missionário da Igreja Messiânica) e Cláudio Halfed (falecido) se mudam para Barra Mansa e Natal, respectivamente, onde introduzem o Aikido e formam novos faixas pretas.