Jodo
História
Introdução à história do Jodo
Toda a história do bastão começa na Antiga China. O bastão longo (BO) surgiu, segundo a lenda, através do jovem Yenung Ng Long. Ele era um perito em lança e decidiu entrar para um mosteiro.
Durante sua vivência no mosteiro, seus superiores ao verem ele treinar com uma lança lhe explicaram que não ficava bem para um monge manejar uma lança que era um instrumento de guerra para matar. Reprimido, Yenung Ng Long ficou desolado e procurou solução para poder continuar treinando.
O problema era a ponta metálica da lança. Dessarte, arrancou a ponta e converteu sua lança em um comprido bastão e foi pouco a pouco desenvolvendo técnicas. Como não era uma arma utilizada pelos soldados chineses o bastão longo causou grande impacto entre os monges e passou a ser utilizado como bordão ou cajado em suas viagens para possível autodefesa contra assaltantes.
Os monges chineses, ao espalharem o budismo, influenciaram os monges guerreiros japoneses sojei na arte do bastão longo. Assim, os artistas marciais do Japão herdaram os métodos do bastão longo chinês "Paan". O bastão chinês "Paan" e o "Bo" guardam estreita relação em comprimento e peso e curiosamente ambos se escrevem com o mesmo ideograma cuja pronúncia japonesa é BO e a chino-cantonesa é PAAN.
Até o período Kamakura (1147-1408) já existiam técnicas de bastão bem organizadas, porém esta arma não tinha importância no Bujutsu. Supõe-se que para sua falta de divulgação e expansão seja devido que ela não era considerada uma arte de alta categoria como era o ken-jutsu (espada), o kyu-jutsu (arte do arco e flecha) e outros estilos militares que eram considerados superiores e fundamentais ou de aprendizado obrigatório para o protetor (bushi) dos senhores feudais.
Não era admissível, na época, que o bastão tivesse a mesma importância da espada (KEN) (arma de metal, forjada em condições místicas e utilizadas pelos samurais (homens superiores) em contraste com o bastão simples, barato e simples e que podia ser adquirido por qualquer membro das classes sociais baixas.

O surgimento da Shindo Muso-ryu Jojutsu
Depois da chegada dos monges chineses ao Japão com o bastão longo e a expansão desse instrumento pelos monges japoneses "Sojei", começa a terceira fase de desenvolvimento como mestre Lizasa Ienao (1347-1488), fundador da Escola Katori-ryu. Este mestre desenvolveu seu próprio método de manejo, adaptando-o para enfrentar outras armas do BU-GEI (conjunto das armas militares).
Durante este período viveu um artista marcial chamado Muso Gonnosuke que estudou BO e todas as técnicas de armas da escola Katori-ryu e de outras escolas de seu tempo. Enfrentou muitos combates com samurais e outros peritos de diversas armas. Conta a lenda que é nesse período, então, que se dá seu combate como grande kenshi (espadachim) Myamoto Musashi que o venceria. Musashi, porém, poupa sua vida. Muso Gonnosuke, desolado, se retira para as montanhas e passa a levar uma vida de grande disciplina e desenvolve uma arma curta, de pequeno diâmetro feita de duro carvalho branco e a chama de JO. Em seu retiro espiritual passar a treinar com esse bastão curto.
Devido ao seu curto comprimento, o JO permitia o combate mais perto, mais próximo do oponente, coisa que o BO não tornava possível. Sua facilidade de manejo mais perto do adversário passou a ser evidente. Após alguns anos Muso retorna a sua cidade e toma a enfrentar Musashi e desta vez o derrota. Como este fizera anteriormente, não mata. A dívida está paga.
É muito importante que se diga que o JO, nas medidas de bastão curto, é uma criação totalmente japonesa. Não guarda nenhuma relação com o bastão longo oriundo da China.
