Iaido

Iaido

Aspectos Gerais

Introdução ao Iaido

O Iai, inicialmente, era uma maneira usada pelos samurais para adquirir serenidade de espírito, controle de respiração e sinal de perfeição e elegante autocontrole na arte de desembainhar a espada. Caracteriza-se basicamente por sacar a espada (katana) de modo rápido, com beleza impecável, simulando um confronto real com um ou mais adversários imaginários.

O Iai, no sentido amplo e antigo, é a arte de desembainhar, cortar, dar estocada e defender-se, com grande diversidade de aplicações. Na visão moderna do Iaido, o principal propósito é desenvolver a serenidade de espírito.

Existem várias modalidades de Iai. Dentre as mais conhecidas e praticadas estão: Muso Shinden Ryu, uma escola clássica, e o Seitei Iai, um conjunto de técnicas compiladas de várias escolas tradicionais.

No Japão a principal organização supervisora da prática do Iaido é a Zen Nihon Kendo Renmei - ZNKR (Federação Japonesa de Kendô).

De modo geral, os iniciantes começam a aprender as 10 formas Seitei Iai e depois, se obtiverem um bom desenvolvimento passam a aprender as técnicas e formas da Muso Shinden-ryu.

Tal qual na Zen Nihon Kendo Renmei, praticamos, majoritariamente, o Seitei Iai, e a Muso Shinden-ryu.

Praticar Iaido é, antes de tudo, exercitar paciência, pois o aprendizado é demorado. Em busca da maestria o verdadeiro praticante de Iai dedica a sua vida inteira.

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Objetivo da Prática

O objetivo do Iaido é o coração não-vingativo e o término de conflitos deverá ser conseguido através do "não-desembainhar-da-espada".

Antigamente o Iaido foi chamado "saya-no-uchi", isto é, invencibilidade sem desembainhar a espada.

A verdadeira vitória é afastar o oponente através dele mesmo. Entenda-se esse "oponente" metafórico como sendo quaisquer obstáculos psíquicos, físicos ou paradigmáticos.

Na sociedade moderna, as negociações, sejam no âmbito pessoal, social, etc, devem ser conduzidas com a estabilidade necessária para se alcançar os objetivos propostos, mesmo diante de impasses.

A prática do Iaido para o moderno cidadão é, tal qual era para os samurais, além do desenvolvimento de habilidades motoras, a maneira de obter a estabilidade pessoal necessária para agir no momento certo, com precisão, com clareza de visão e espírito.

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Como são as técnicas

Praticar Iaido é basicamente realizar kata (seqüências preestabelecidas de ações xifomáquias virtuais), que por sua vez são compostas por técnicas centenárias da esgrima japonesa.

O conjunto de kata desempenhados de forma cerimonial denomina-se EMBU. No Embu o praticante, envolve-se na realidade criada por sua mente, defrontando-se com os seus inimigos imaginários.

A execução das técnicas do Iai devem ser precisas, ordenadas, eficientes e eficazes, mas sempre com naturalidade, sem sobrecarregar o praticante e, fundamentalmente, reviver, mesmo que imaginariamente, situações de enfrentamento ao inimigo, gerando no praticante segurança, em todos os aspectos da sua vida.

Os movimentos no Iaido, de modo geral, consistem em:

  • Nukitsuke (desembainhar),
  • Seme (ameaçar),
  • Furikabute (armar a espada),
  • Kiri tsuke (cortar),
  • Chiburi (sacudir o sangue da lâmina) e
  • Noto (embainhar).

Geralmente todas kata envolve essa seqüência de movimentos básicos. Aprende-se várias kata, cada uma equilibrada, precisa e elegante, que levam o praticante a assimilar os princípios do Iai.

Quando se pratica os diferentes kata, ainda que se treine sozinho, há de se imaginar que é atacado por inimigo real - um ou mais - para tentar vivenciar a sensação de perigo e alta concentração que propicia um ataque real e evitar o comportamento de estar praticando um mero exercício físico ou jogo de salão.

Diferente da espada ocidental medieval, a espada japonesa era usada para cortar e não para bater. Assim sendo, a ênfase é nas técnicas de corte.

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Beneficios do Iaido

A prática do Iaido exige um grande esforço, uma paciência obstinada. É um caminho austero, mas que traz em si suas recompensas. É necessário segui-lo sem intenção de obter coisa alguma, praticando e praticando.

A prática do Iai agradará aos estetas, aos que gostam de coisas belas e bem feitas (perfeição de maneiras, etc) e também aos místicos, pelo simbolismo universal da lâmina da espada.

Curiosamente, as pessoas que praticam Iaido, como verdadeira disciplina, são médicos, arquitetos e artistas que procuram perfeição e concentração nas tarefas de suas profissões.

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A espada japonesa (características e cuidados)

Das espadas japonesas, a kataná é a usada para a prática do Iaido. Ela é composta por duas partes: a lâmina e os suportes.

A Lâmina

As partes que compõem a lâmina são classificadas conforme a figura abaixo:

Lâmina

  1. A ponta (Kissaki). A ponta é a parte da espada mais difícil de forjar e polir. O valor da espada é fortemente determinado pela condição de sua ponta. As linhas do fio (boshi) em uma ponta não precisam necessariamente serem idênticas em ambos os lados da lâmina.
  2. Linha divisória entre o corpo e a ponta (Yokote)
  3. Linha-cume (Shinogi). Esta linha pode não ser encontrada em lâminas hira-zukuri. A shinogi pode ser de dois tipos:
    1. Shinogi-takashi - linha-cume elevada
    2. Shiinogi-hikushi - linha-cume plana
  4. Superfície superior ou área-cume (Shinogi-ji). Alguns espadeiros fizeram espadas com uma superfície superior larga; outros, entretanto, produziram espadas com a linha-cume perto do dorso (parte oposta à do fio).
  5. Superfície (Ji) e Superfície-decoração. Algumas lâminas tem entalhes (hi), desenhos (horimono) e inscrições (bonji ou kanji) na superfície e na área-cume (shinogi-ji).
    1. Entalhes/Sulcos (hi). Originalmente os entalhes/sulcos eram feitos para garantir a curvatura da espada e diminuir o peso. Entretanto, os sulcos gradualmente passaram a ser considerados como pura decoração.
    2. Desenhos (horimono) e inscrições (bonji ou kanji). Estes também são considerados refinamento decorativo, apesar deles terem tomado a idéia de significado religioso. Entretanto, uma espada não é necessariamente uma boa espada simplesmente porque ela tem sulcos ou inscrições na sua superfície ou área-cume. Como na maioria dos casos, muitas desses "enfeites" são colocados muito tempo depois da confecção da lâmina para esconder sinais indesejáveis ou defeitos na lâmina.
  6. Linha de têmpera (Yaki-ba). A linha de têmpera é uma linha contínua, ondulada ou não, que percorre a extensão da lâmina. Como ela é a mais dura porção do aço, se torna esbranquiçada quando habilidosamente polida. As linhas de têmpera representam a mais bela característica das espadas samurai e são o mais importante item de avaliação.
  7. Dorso ou área topo (Mune). Existem 5 tipos de dorso. Os mais comuns são (a) e (b) também são conhecidos como ihori-mune ou gyo-no-mune.
    1. Dorso baixo (mune-hikushi).
    2. Dorso alto (mune-takashi).
    3. Dorso duplo-cume (mitsu-mune ou shin-no-mune).
    4. Dorso arredondado (maru-mune ou so-no-mune).
    5. Dorso plano (hira-mune ou kaku-mune).
  8. Curvatura (Sori). A curvatura da espada é medida no dorso. Geralmente falando, as curvaturas são classificadas como profundas ou rasas. Em muitas espadas o ponto de curvatura mais profundo aparece no centro da lâmina. Este tipo é conhecido como torii. Entretanto, na antiga escola Bizen de confecção de espada, o ponto de curvatura mais profundo está localizado mais perto do punho. Este tipo de curvatura foi formalmente conhecido como koshi-zori ou Bizen-zori.
  9. Cabo da lâmina (Nakago). O cabo da lâmina é a parte da lâmina localizada onde seria a empunhadura ou punho. Os cabos das lâminas são importantes na avaliação de espadas samurais, particularmente porque muitas vezes revelam a data de confecção e a identidade do espadeiro. Os cabos das lâminas de espadas feitas em diferentes escolas de confecção usualmente são similares.

Os Suportes

Os suportes compreendem as estruturas que se agregam à lâmina, são compostos por peças de encaixe e acessórios.

São classificados conforme o que se segue:

Suporte

  1. Bainha (Saya). A bainha é feita de madeira. Seu propósito primário é proteger a lâmina. Usualmente ela é envernizada ou fosca. Algumas bainhas possuem bolsos/encaixes para a kozuka (faca de utilidade), uma kogai (espeto), ou wari-bashi (pauzinho trincado) entre a tsuba (guarda) e a kurigata (corda do punho).
  2. Guarda (Tsuba). A guarda protege a mão que segura a espada. É feita de aço, cobre, prata ou algum outro metal. Existe muitas pessoas que colecionam tsuba por causa de sua beleza artesanal. Algumas tsuba possuem orifícios laterais ao furo central (onde se trespassa o cabo da lâmina) que servem para colocar a kozuka, kogai ou o waki-bashi. O orifício para a kozuka (faca de utilidade) é sempre aquele localizado ao lado esquerdo do furo central (olhando-se a tsuba de frente, no sentido ponta-cabo).
  3. Punho ou Empunhadura (Tsuka). O cabo da lâmina é encaixado no punho. O punho é feito de madeira, tem anéis (fuchi e kashira) em ambas extremidades, é coberto por ossículos das barbatana de peixes e atado por fita. Existem vários tipos de fitas usadas para a amarração do punho. Algumas fitas são feitas de seda, couro ou algodão e podem ser também um conjunto de fitas largas flexíveis ou de cordas leves. Algumas tsuka dos suportes jindachi-zukuri ou espada curta (tanto) tem punhos sem amarração chamados hari-menuki ou uki-menuki (ornamentos encravados no punho).

Suporte

  1. Colarinho (Habaki). Para prevenir que a lâmina balance dentro da bainha e/ou sair acidentalmente.
  2. Espaçadores ou Arruelas (Seppa). Mais um dos itens que firmam a lâmina ao punho.
  3. Anéis ou mangas (Fuchi). Além de adornar, conferem firmeza na amarração do punho.
  4. Ornamentos do punho (Menuki). O punho tem um par de menuki. Alguns desses pares tem desenho idênticos, mas alguns consistem de desenhos companheiros ou contrapartes.
  5. Anel da base (Kashira). Existe muitas pessoas que colecionam os anéis (kashira e fuchi) e ornamentos do punho (menuki) por causa dos seus desenhos fantásticos, tal qual os colecionadores de tsuba.

Cuidados e Manutenção

A função primária da espada é cortar, mas nunca deve ser usada para cortar objetos demasiadamente duros ou rígidos, pois essa ação serve somente para arruinar a lâmina.

Ao manipular a espada deve-se ter todo o cuidado para não estragar a fita/faixa que envolve o cabo bem como não danificar os suportes. No Brasil é praticamente impossível encontrar alguém que seja capaz de refazer o cabo de uma "kataná".

A beleza e o valor de uma espada samurai repousa essencialmente na excelência de seu polimento sem marcas. Por esta razão uma lâmina não deve ser tocada com as mãos, em hipótese alguma. Caso contrário, esse contato causará ferrugem, além de ser perigoso pois pode ferir.

O melhor jeito para prevenir ferrugem numa lâmina, além de jamais tocá-la diretamente com as mãos, é mantê-la sempre ligeiramente untada com óleo. É melhor usar óleo levíssimo, do tipo usado para limpar e conservar armas de fogo, porque óleo pesado pode ensebar a bainha. (não usar óleo de máquina de costura pois contém muita água). Se a espada reside em áreas de atmosfera salgada, aplique óleo uma vez ao mês, se em regiões montanhosas aplique óleo a cada 3 meses.

Antes de reuntar a lâmina, seque-a retirando o óleo anterior com tecido macio (exemplo: tecido facial). Depois chuvisque o pó especial para remoção de óleo (uchi-ko) ou salpique talco na superfície da lâmina. Remova o pó esfregando gentilmente com um tecido macio limpo. Por fim unte a lâmina com óleo leve e fino.

A importância de untar-se a lâmina a intervalos regulares não pode ser menosprezada, visto que é a melhor maneira de prevenir corrosão. No caso da espada ser também usada na prática do Iaido, a cada final de treino, deve ser limpa e untada conforme já explicado, sendo que o uso do "uchi-ko" ou talco é eventual.

No Brasil, existem poucas pessoas qualificadas para polir uma "kataná" ou fazer reparos nos suportes. Se um amador tentar polir a espada por conta própria o resultado pode ser a ruína completa da lâmina.

Mesmo que se encontre um polidor profissional aconselha-se não usar polimento metálico na lâmina ou nos suportes, especialmente na guarda (tsuba) porque o cabo da lâmina contém informação vital sobre o artesão (espadeiro), assim jamais deve ser polida.

Seguindo as orientações acima sua espada pode ter uma longa vida. Depende apenas dos cuidados e manutenção que se dedicar a ela.

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